Quarta, 24 de Julho de 2024
Esporte & Lazer Inclusão no Brincar

Diversão sem barreiras: a importância do ‘brincar’ para crianças com TEA

Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou que uma em cada 100 crianças em todo o mundo possui Transtorno do Espectro Autista

07/05/2024 às 08h00 Atualizada em 09/05/2024 às 19h08
Por: Lorena Brum
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É crucial considerar as preferências sensoriais e interesses específicos das crianças com autismo ao escolher as brincadeiras. Imagem: Freepik
É crucial considerar as preferências sensoriais e interesses específicos das crianças com autismo ao escolher as brincadeiras. Imagem: Freepik

 

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A inclusão de brincadeiras para crianças dentro do espectro autista é fundamental para o desdobramento de habilidades sociais, emocionais e cognitivas. Uma pesquisa conduzida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) relatou que uma em cada 100 crianças em todo o mundo possui Transtorno do Espectro Autista (TEA), sendo importante adaptar atividades para viver de forma plena uma das etapas mais importantes da vida: a infância.

O direito de brincar para todas as crianças

O ato de brincar é um direito assegurado a toda e qualquer criança, pelo qual é possível explorar a criatividade, como também praticar exercícios de comunicação, socialização e interação. Tais questões podem ser desafiadoras para aqueles que estão no espectro autista. As atividades devem estar de acordo com necessidades específicas, podendo, por exemplo, ter regras mais claras e simples, como o “jogo da memória” ou “amarelinha”.

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Adaptando as brincadeiras para as necessidades específicas

Para Renato Loffi, fisioterapeuta neurofuncional e CEO da Treinitec - empresa especializada em tecnologia assistiva - é importante considerar as preferências sensoriais da criança autista ao escolher as brincadeiras:

É crucial considerar as preferências sensoriais e interesses específicos das crianças com autismo ao escolher brincadeiras, pois isso promove engajamento e facilita a interação. Brincar não só estimula o desenvolvimento físico e cognitivo, mas também promove habilidades sociais e emocionais essenciais para crianças autistas, como a comunicação”.

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Esses detalhes fazem com que o engajamento e a motivação da criança aumentem, deixando-a confortável e incentivando o desenvolvimento de habilidades motoras e mentais. Fato importante, tendo em vista que o estudo “Retratos do Autismo no Brasil em 2023”, realizado pela healthtech Genial Care em parceria com a Tismoo.me, revelou que 49% dos entrevistados possuem uma doença crônica secundária, sendo mais vulneráveis a questões gastrointestinais (16%), doenças respiratórias (10%) e obesidade (6%).

Inclusão e recreação: uma combinação poderosa

Para Alessandro Tomazelli, CEO da Cia do Tomate - empresa do ramo de recreação infantil - a inclusão de atividades recreativas deve ser inserida de forma natural no cotidiano da criança, sem parecer uma tarefa:

A realização da atividade física e do brincar não pode vir como uma obrigação. É necessário que as atividades recreativas venham como um momento de relaxamento e conectividade, para que assim elas possam expandir habilidades cognitivas, sociais e criativas, fatores essenciais para a construção do crescimento físico e intelectual”.

Além disso, as atividades recreativas possuem a função de promover a inclusão. Quando tais são feitas em ambientes inclusivos, bem estruturados e com supervisão, auxiliam crianças autistas a colocarem em prática habilidades sociais ao estreitar laços de amizade, exercer resoluções de conflitos e trabalhar o espírito colaborativo.

Ambientes inclusivos: suporte para crianças e cuidadores

Espaços e atividades inclusivas fazem com que as crianças se sintam valorizadas, aceitas e capazes de se divertirem e aprenderem juntas, mas também dão suporte a pais e cuidadores. Um exemplo disso é a sala sensorial disponibilizada no Allianz Parque. A estrutura foi construída em parceria com a WTorre e o coletivo Autistas Alviverdes e está localizada no Setor Norte do quarto andar do estádio do Palmeiras. O espaço conta com
equipamentos para suporte em momentos de crise, hiperestímulo ou desregulação, além de profissionais capacitados.

Com foco em proporcionar um espaço seguro para torcedores com TEA assistirem a jogos, shows e outros eventos, o local fica separado do grande público. A sala sensorial oferece uma acústica diferente do resto do estádio, com estímulos visuais e sonoros controlados, de modo que se torne uma experiência mais confortável para as pessoas dentro do espectro.

Espaço conta com estrutura de equipamentos para suporte em crise, hiperestímulo ou desregulação. Imagem: Divulgação/ Allianz Parque

Construindo uma sociedade compassiva

Esse processo de adaptabilidade deve ser visto como uma forma de envolver a socialização da criança ao construir soluções que permitam a elaboração de novos conhecimentos, promoção de autoestima e noção de pertencimento ao criar uma sociedade mais compassiva para todos.

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