Quarta, 24 de Julho de 2024
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Férias inclusivas: 5 atividades para estimular o desenvolvimento de crianças neurodivergentes durante as férias. Confira

Especialistas destacam sobre a importância de manter a rotina e dão sugestões de recreações adaptadas

05/07/2024 às 08h00 Atualizada em 13/07/2024 às 14h50
Por: Lorena Brum
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É importante considerar as preferências de cada criança, assim como os desafios sensoriais e níveis de habilidade. Imagem: Freepik
É importante considerar as preferências de cada criança, assim como os desafios sensoriais e níveis de habilidade. Imagem: Freepik

 

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Com a chegada das férias escolares, muitos pais se veem desafiados a manter a rotina de crianças neurodivergentes, como aquelas com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e Transtorno do Espectro Autista (TEA). A neurodiversidade abrange variações no cérebro humano que afetam a sociabilidade, aprendizagem, humor e outras funções cognitivas, tornando a adaptação a mudanças na rotina um desafio significativo para essas crianças.

A importância da rotina para neurodivergentes

No Brasil, a população neurodivergente e com deficiência soma 18,9 milhões de pessoas. O número de crianças e adolescentes com autismo matriculados nas escolas aumentou 50% entre 2022 e 2023, passando de 405.056 para 607.144, segundo o Censo de Educação Básica. Esse crescimento reflete a necessidade de adaptação dos sistemas educacionais e familiares às particularidades dessas crianças.

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Para os neurodivergentes, a previsibilidade é essencial. A Drª Amanda Alves, psicopedagoga do Grupo Treini, especializado em tecnologia assistiva, explica que:

"Seguir uma rotina oferece sensação de ordem, ajudando-as a gerenciarem melhor as expectativas. A mudança é muito desafiadora, pois perdem a previsibilidade que já estão habituadas".

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Preparando para as férias

A Drª Amanda Alves sugere preparar as crianças neurodivergentes para o período de férias criando um roteiro diário com imagens dos lugares a serem visitados.

"As novidades devem ser apresentadas gradualmente, para não sobrecarregá-las. Também é importante manter atividades escolares, para que elas tenham algo familiar nesse tempo em casa", recomenda.

Alessandro Tomazelli, CEO da empresa de recreação Cia do Tomate, ressalta que as atividades devem ser integradas de forma natural no cotidiano das crianças.

"A realização de brincadeiras e atividades físicas não pode vir como uma obrigação. É necessário que venham como um momento de relaxamento e conectividade, para que possam expandir habilidades cognitivas, sociais e criativas", afirma.

Atividades recomendadas para o desenvolvimento

Para auxiliar os pais durante o período de férias, a psicopedagoga Amanda Alves destaca cinco atividades que podem estimular o desenvolvimento de crianças neurodivergentes em casa. Essas atividades devem ser adaptadas às necessidades e preferências individuais de cada criança.

1. Artes

Atividades como pintura, modelagem e artesanato são excelentes para estimular a criatividade e a expressão não verbal de emoções. Além disso, o foco em um produto final pode proporcionar uma sensação de realização e orgulho.

2. Música

Movimentações com o corpo através da dança e teatro ajudam na coordenação motora, expressão emocional e trabalho em equipe, especialmente em atividades realizadas em grupo.

3. Esportes

Práticas como natação, judô e balé desenvolvem habilidades motoras e de coordenação, além de serem ótimas para o gasto de energia física, que é fundamental para crianças com TDAH.

4. Atividades ao ar livre

Brincadeiras como caça ao tesouro podem estimular habilidades cognitivas e sensoriais. Procurar itens no quintal de casa ou em uma praça é uma forma divertida de manter a mente ativa.

5. Jogos de tabuleiro

Jogos como damas e ludo ajudam a desenvolver paciência, pensamento estratégico, tomada de decisão e a habilidade de lidar com a perda. Essas atividades são importantes para o desenvolvimento de habilidades sociais e emocionais.

A especialista reforça a importância de considerar as preferências e desafios individuais de cada criança, fazendo adaptações necessárias para que todas possam participar das atividades.

"É importante considerar as preferências de cada criança, assim como os desafios sensoriais e níveis de habilidade. Se for necessário, fazer adaptações para que a atividade possa atender às necessidades específicas e, consequentemente, aumentar a participação nessas experiências", conclui Amanda Alves.

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